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A Guerra de Canudos

tendo cornmunicação, embora incompleta, com as pozições da Favella.

A corneta do Quartel-General fazia vibrar com intervallos o toque de alerta, repetido nos piquetes em geral. Estavam todos vigilantes e cada qual preparava-se para repellir o ataque que o inimigo provavelmente tentaria, protegido pela escuridão da noite e ainda mais pela nosso estado de dezorganisação depois do combate; introduzir-se-hia, sem ser percebido, pela nossa linha avançada, muito rarefeita e ainda mal orientada quanto á pozição, podendo tambem, e facilmente, atacar pela retaguarda. D'esse modo, contava-se ao certo que os jagunços tentariam tirar estrondoza desforra, em cuja espectativa se cuidava do estabelecimento da resistencia.

O que seria tal ataque, todos facilmente o imaginavam; o inimigo, tirando partido da nosso estado anomalo, fracos numericamente e cansados d'um dia inteiro de combate, assaltar-nos-hia com toda impetuosidade, fazendo-o a ferro-frio e de surpreza. Em seguida, a mais cruel vingança, traduzida em féra matança, inclusive a dos feridos da Favella e Canudos, cerca de 2.000, viria trazer fúnebre remate á longa serie de combates até ali empenhados.

Foi na tetrica perspectiva d'esses lugubres, acontecimentos, que os commandantes de bri-