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A Guerra de Canudos

á noite podiam moverse nas linhas, encravadas no amago do arraial, frente ao inimigo, cuja audacia o trazia a 8 e 10 metros das sentinellas.

Desde 18 não cessou mais o tiroteio. A todo momento, de algum ponto da linha, os atiradores procuravam caçar algum sertanejo, que, temerario e com extraordinario desprezo da vida, exibindo gestos provocadores, atravessava as esquinas das ruas estreitas e tortuozas. As mulheres e creanças eram vistas em habitual movimento, como si nada houvesse; as ultimas eram,de ordinario, poupadas, o que não praticavam com aquellas, que serviam de espiões; além d'isso carregavam armas e atiravam, pelo que eram tambem alvejadas.

Ao escurecer os litigantes expontaneamente estabeleciam tréguas de uma e mais horas, em cujo decorrer em ambos os campos cuidavam da remoção dos feridos e do enterro dos mortos; depois, durante a noite até a madrugada o crepitar da fuzilaria constituia uma obrigação jamais des curada. Aquella hóra, no sino da igreja velha soavam seis badaladas, echoando melancholicas as Ave Maria. As sentinellas respondiam áquella provocação fleugmatica e stoica, fuzilando a torre. Tambem para ella partiam algumas granadas. No entanto, o sineiro indifferente á tudo o que não fosse