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A Guerra de Canudos

um tiro e o capitel da cupula da torre, tambem sumira-se.

Mesmo assim, d'aquellas quazi ruinas, os jagunços, principalmente alta noite, lá se emboscavam, atirando sobre as linhas; com alguns tiros de shrapnell, estourando no corpo central do templo, elles emmudeciam, simulando retirada. Pela madrugada, volviam á carga.

A única torre, de aspecto singelo, mas fortissima construcção, estava ainda erecta, de safiando o choque das granadas; o sino lá estava pendurado, e, ao escurecer, o sineiro ia infallivelmente cumprir o seu encargo. Themoteo, chamava-se aquelle singular personagem, que, num stoicismo sublime, desafiava todo o exercito, indifferente á fuzilaria e ao canhoneio, tudo sobre elle.

Mas n'uma tarde succumbiu aquelle heróe. A' hora competente, surgiu elle na torre, empunhando a corda do sino. Aquella, já combalida e quasi oscillante por um bombardeio de duas horas, ainda promettia alguns momentos de equilibrio. O sineiro percebeu a catastrophe eminente, e, voltado para o Santuário, fez vibrar a primeira pancada, a segundai e foi proseguindo pauzadamente.

A fuzilaria em descargas, as balas ricochetando no sino e dois canhões porfiando em derrubarem a torre. . .