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NARIZINHO ARREBITADO15
 


A ENFERMARIA


E

MQUANTO a carruagem corria pelo fundo do ribeirão, ia Narizinho admirando, atravez das vidraças, os bellos panoramas, as avenidas de areia branca, as pedras redondas e os peixes que paravam respeitosamente para vel-os passar. Em certo ponto a carruagem mudou de rumo, tomou por uma tóca e foi parar ás portas do hospital. Era uma grande sala, cheia

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de camas e mesinhas com vidros de remedio. Estava lá o doutor Caramujo, famoso sabio do reino, e mais algumas baratas enfermeiras, vestidas de irmás de caridade. O principe chamou o medico e pediu noticias dos doentes. Os dois bagres de barriga amarella estavam numa das camas, embrulhados em tres cobertores, muito pallidos e suando em bicas. Escamado tomou-lhes o pulso e viu que tinham febre alta.

— Queira Deus não batam as botas!... disse elle para Narizinho. O doutor Caramujo é um grande medico mas os doentes d'elle morrem todos... Não tem sorte nenhuma...

Mais adeante, em outra cama, gemia o pae-barata, ferido mortalmente pela rá verde.

— Como vae este freguez? perguntou o principe.

— Muito mal, respondeu Caramujo. Quebrou cinco pernas, rasgou uma asa, e está todo arrebentado por dentro. Dei-lhe as pilulas de mestre Escaravelho mas não tenho esperanças de salval-o.

— Já se confessou? indagou o principe?

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— Confessou-se agorinha mesmo e vae commungar neste instante. Ahi vem Frei Louva-a-Deos com os sacramentos.

Nem bem pronunciara o medico taes palavras, eis que entra Frei Louva-a-Deos, acompanhado dum mosquito coroinha. Era tão triste a scena que Narizinho sentiu vontade de chorar. O frade animou o doente, falou da belleza do céo e offereceu-lhe a hostia sagrada : uma escamazinha de peixe. Nem podia sentar-se na cama, o pobre. Foi preciso que as irmás enfermeiras