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26 A MENINA DO

Respondeu o caramujo:

— Talvez me sahisse melhor do que um cascudo da tua marca! E cada um riu-se por dentro da triste figura que faria o outro, porque no reino dos animaes, bem como entre os homens, ninguem se conhece.

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Terminada a valsa Narizinho voltou para o throno e assistiu a uma polka dançada por um caranguejo e uma tatorana vermelha, muito gorda, de grande faixa de gorgão na cintura.

Apesar do respeito devido ao principe, a côrte riu-se a mais não poder, e Narizinho chegou a perder o folego. Porque não havia nada mais comico do que o senhor caranguejo a pular passos de polka nos braços da senhora tatorana, que suava em bicas numa grande afobação. Quando a musica parou, a dama nem suster-se em pé podia, de tão cançada, e foi preciso carregarem-na a braços e entregal-a aos cuidados do doutor Caramujo. Depois desse comico incidente, surgiram na sala bailarinas libelinhas. Uma azul, outra vermelha, outra verde esmeralda, todas muito leves-e nervosas, começaram a bailar, treme-tremendo as lindas asas transparentes. Tão vivos e rapidos eram seus movimentos que aquillo mais parecia um bailado de raios de luz vivamente coloridos.

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Foi um deslumbramento. E estavam todos no maior encanto, suspensos no ar pela admiração, quando se ouviu barulho d'uma correria em frente do palacio.