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38 A MENINA DO

A TRAMA
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N

A noite desse dia estava Narizinho no melhor do somno quando acordou com uma batida na janella.

— Toc!... toc!...

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— Quem é? disse ella, pulando da cama, tremula de medo.

— Boa noite, bella princeza, respondeu uma voz conhecida. Tenho um segredo a te revelar.

Era o sapo. Narizinho respirou alliviada e, abrindo a janella, perguntou-lhe o que desejava.

— Tu me salvaste a vida, respondeu o sapo, e eu quero salvar a tua. Escuta lá. Depois que me tiraram as pedrinhas da barriga, eu sahi do jardim e fui encorujar-me num cantou escuro para sarar da cortadura com todo o meu socego, procurando para esse fim uma tóca de pedra. Achei uma tóca a meu geito, e lá estava a cochilar quando á meia noite ouvi rumor de vozes ao lado. Como sou muito curioso, encostei o ouvido a uma fresta e puz-me a escutar. Essa fresta ia ter ao carcere do Escorpião Negro. A principio me pareceu que o monstro cego falava comsigo mesmo. Mas não era assim. O monstro conversava com o capitão da guarda, cuja voz conheço muito bem. Estavam conspirando contra o principe, e muito tempo levaram combinando os planos duma revolta afim de matar o principe e enforcar todos os nobres do reino. Combinaram tambem que subiria ao throno o Escorpião cego, sendo Narizinho obrigada a casar com elle.