mago, atraz da jumenta, da sua inseparavel jumenta, que lhe dava o pão de cada dia e que elle carinhosamente chamava a Coruja. O docil animal costumava pastar á beira da cerca, tão feliz quanto o dono cuja presença punha-lhe uma expressão reconhecida no olhar manso. Mestre Cosme mettia-lhe o focinho no freio, armava-lhe a cangalha, e abalava para o morro do Cocó a explorar a matta, a fazer lenha para vender no mercado a dez tostões a carga. Um dinheirão!
Mestre Cosme não queria vida melhor. Ao pôr do sol voltava com os seus ricos dobrões na ponta do lenço, escanchado na Coruja, sem cuidados, debaixo de seu grande chapéo de palha de carnaúba.
Tia Joaquina ficava trocando os bilros na almofada. Mas, em chegando o fim do anno, ia tambem á cidade fazer o seu negocio, com uma grande cuia na cabeça: — «Olha o cajuzinho bom do Cocó! Olha o cajuzinho bom!» E voltava com a cuia vasia e com a isquinha de figado para a ceia ou com o cangulinho fresco d’alto mar.
Chamavam-na a velhinha dos cajús, porque os cajús que tia Joaquina vendia tinham um sabor especial, eram doces como assucar.
Queriam-se os dois como um casal novo em lua de mel. «Meu velho «<e «minha velha» — é como se tratavam.
João da Matta conhecia-os de longa data, desde a sêcca, por signal naquelle tempo tinham uma filha moça — tambem Maria (Maria das Dôres) que morrera das febres em 77. João era commissario de soccorros