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Página:A Nova Aurora.pdf/103

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habituando a não serem contrariados em nenhum dos seus caprichos. O detido, pela menor queixa, era conservado a pão e agua, quando lho davam, por mais de vinte e quatro horas; e, antes de posto em liberdade, se lhe inflinjia, numa intimidação de reincidencia, repelentes e indecorozos castigos, dos quais os menores se limitavam á aplicação de duzias sobre duzias de estalidantes bolos, palmatoados a sustança, e á raspajem dos cabêlos, operada por qualquer esbirro policial. A conquista da liberdade era mediante o sujeitamento das mãos a causticantes pancadas de férula e a cabeça entregue á navalha raspadora.

Suprimira-se o direito de reunião, a simples aceno do delegado ditatorial.

E a população, numa pacificidade de carneiro, sem meios de defeza, amoldava-se aos ditames das inclementes autoridades sustentadas pelo poderio dos pontifices do Provizório.

Na «Aurora», por cujas cercanias já rondavam, farejando motivos para a delação, os secretas que o façanhudo Queiroz distribuira pelos bairros suspeitos, havia cessado a costumeira reunião noturna, e isso por previdente convencionalismo entre os cavaqueadores. Não, que nenhum delles si não queria atrever, com a sua perzença, a um ensejo de vir a ser alvo da sanha da