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Página:A Nova Aurora.pdf/113

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O seu nome, de sobejo conhecido em todas as sociedades, era acatado com reverencia. Fôra elle prezidente e um dos fundadores do Clube Artistico Abolicionista e, na Uzina, si os operarios possuissem regular instrução, teria elle,inspirado pelo seu saber, conquistado logar preeminente; levantaria um partido, se quizesse, tal a céga abnegação que lhe votavam. Acercava-se, no estabelecimento, dos poucos que, pela sua intelijencia, o poderiam compreender e explicava-lhes, fundado na sua farta e variada leitura, as grandezas e virtudes da Republica, que elle considerava a melhor forma de governo para um paiz. Pregava-a com uma eloquencia em nada inferior á dos melhores e mais festejados tribunos. E, dos que o podiam entender nessas prédicas continuas, apenas um, o João Cadète, chefe da oficina de modeladores e veterano do Paraguai, diverjia das suas idéas. Todas as vezes que o ardorozo republico terminava, entre os operaris, as suas palestras doutrinárias, o Cadête repondia-lhe convincente:

—Qual, seu Fabricio, si isto por aqui chegar a ser Republica, algum dia, muita gente apanhará bolos e você irá á Cadeia !

O apregoador das grandezas do rejimen da democracia sorria ás sentenças do modelador, motejava do que elle considerava puro seticismo.