III
cebido por uma estridente salva de palmas, que rumorejou altisonante pelo abobadado edificio, ao contrario do que o auditorio fizéra com os oradores precedentes, friamente recebidos e discursando sem aplauzos. Diante a estrepitoza manifestação que o povo lhe faz, o tribuno deixa transparecer a comoção, dominando-se, porém. E, fitando a enorme massa popular, que incessantemente o aclama, como que procura precrustar o que vai na alma dos aclamantes, o que elles sentiam e o que de sincero iria nas suas constantes e vivissimas ovações.
A assistencia, de instante a instante, ajita-se sofregamente; todos como que anciam pela palavra do orador. Sente-se aquelles milhares de cerebros tendo o mesmo objetivo, o mesmo dezejo.
Fez-se, finalmente, o silencio. E a palavra do orador, temida e querida, é escutada. Fluente, emocionante e carinhozo, umas vezes, causticante outras, vai dominando o auditorio que, de compacto, se acotovelava.
O povo, agora mudo e quiéto, sentindo vibrar-se-lhe a alma ás palavras fabricianas, ouvia-as atentamente, embaladamente prêzo ao silencio. Aquelle discurso, em que ironicamente, mas sem papa na lingua, se fazia um verdadeiro libélo