vernantes, estava elle como diante dum tribunal, inquizitorial. Atiravam-lhe toda a sorte de improperios, insultavam-o, baixa e torpemente; e elle, impotente para se defender diante aquelles espiritos neronianos, quedava-se submisso á rezignação de tudo ouvir. Por fim, ainda elle tentou justificar-se, dizendo timidamente:
—Eu pensava que a liberdade franca da palavra me seria mantida, como cidadão que sou...
—E tu ouzas, porventura, falar em pensamento e liberdade ? ! atalhou-o, encolerizado, um dos do Provizório, que assumira a pozição de inquiridor:
—Pensar !... Liberdade !... Si me definires estes dois vocabulos, proseguia o interlocutor, deixar-te-ei ir em paz !
Mas o democratico operario rezolvêra de si para si nem mais um murmurio deixar cair em sua defeza.
Então, o verberante, tomado dum tom impetuozo e forte para com o detido, fraco e indefezo, atirou-se á ameaça, num flamejamento de doutrina diante os seus colegas da Junta e do oficial comandante da escolta.
—Rezolveste, então, avocar á tua mui insignificante pessoa um supôsto direito de açular os teus parceiros contra as instituições vijentes, em-