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REVISTA TRIMENSAL


tempos anormaes e do meio inculto e rude então predominantes.

Virtude civica havia ahi a apreciar — essa hombridade de cavalheiro, que não recusa o combate com armas brancas e a peito descoberto, nem a plena responsabili­dade dos proprios actos.

Era isso que fazia de Ferreira um politico singular e adoravel: nas grandes crises era seo o posto mais arriscado; assim como sua palavra, quer aspera quer amiga, sempre a expressão purissima e convencida de suas intenções, um evangelho de verdade.

Não tinha os detestaveis refolhos de Tiberio que, na phrase de Tacito, externava nos labios o contrario do que guardava no coração. Aliud in lingua promptum, aliud in peclore clausum.

Com a morte levou a certeza de que ninguem, gregos e troyanos, jamais ousou duvidar da sua lealdade.

Por isto os amigos o idolatravam, oa adversarios o respeitavam e todos o admirvam.


VI

Factos importantissimos estavam proximos de confirmarem-no ainda mais neste merecido conceito, que é hoje a expressão sincera e espontanea de todos os cearenses.

O conselheiro José Carlos Pereira de Almeida Torres, depois Visconde de Macahé, repudiado dos chefes conservadores da côrte, havia por despeito organisado o gabinete de 2 de Fevereiro de acordo com os liberaes [1], e tomado a si a ingrata tarefa de castigar por toda. parte,


  1. O gabinete de 2 de Fevereiro de 1844 compunha-se de: Almeida Torres, Império; Manoel Alves Branco (Visconde de Caravellas), Fazenda e interino da Justiça; Ernesto Ferreira França, Estrangeiros; Jeronymo Francisco Coelho, Marinha. interino da Guerra. Sobre o repudio a Almeida Torres vide Mello Mattos, "Pagina de Historia Constitucional do Brazil" cit.