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DO INSTITUTO DO CEARÁ


verdadeira potencia politica, o maior obstaculo offerecido ao adversario armado até os dentes; e do Dr. Pedro Pereira, na redacção de Periquito, jornalito caricato e espirituosissimo, cujas pilhérias, do mais fino sa attico, em prosa e verso, valiam por settas mortiferas arremessadas ao inimigo commum, envolvido nas gargalhadas e rediculo geraes e esmagadores.

Os serviços deste, o partido procurou pagal-os logo com uma cadeira no parlamento na primeira legislatura; mas com que moeda pagaria os d’aquelle? Quem ousaria mesmo ensombrar aquella organisação de brilhante, fallando-lhe de recompensa aos seos actos incessantes de subido desinteresse e do melhor quilate civico?

Entretanto ninguem mais facil de se contentar: dava-se por bem pago com a enorme e crescente popularidade que o envolvia prodigiosamente como uma nuvem de incenso.

Em Setembro de 1848 obteve elle uma dessas pagas na eleição de camara da Capital.

Administrava a Província o actual senador Fausto Augusto de Aguiar desde 13 de Maio[1].


    que se distinguio como subdelegado de policia da villa de "Saquarema". Expedindo uma ordem de prisão, dizia que si o réo resistisse "fosse morto paulatinamente". Isto servio de thema para larga e acrimoniosa discussão contra os liberaes, e o nome de "saquarema" tornou-se logo notavel e apreciado Como Rodrigues Torres (Visconde de Itaborahy) e Paulino José Soares de Souza (Visconde de Uruguay) tinham grande parentella nessa villa, e com efficacia defendiam os seos parentes, e estes foram mais ou menos attendidos em contraposição aos actos do Padre Cêia, foi a denominação se convertendo em synonimo de favorecido, potentado, quo a principio deo-se aos parentes desses dous Personagens politicos, e que depois passou ao partido inteiro, inclusive o do Ceará — Esta explicacão é necessaria: porque a maledicencia partidaria quiz ver nessa nova qualificação motivo injurioso para os que a abraçaram: attribuio-se-lhe a origem do verbo "sacar, saquaremos," aliás "sacaremos," pretenção emprestada aos conservadores no combate de “S. Luzia,” em Minas, no qual os liberaes foram derrotados. O nome é indígena; significa — sem peixe; de "sagoa" peixe e "eyma" sem e proveio de uma lagoa no municipio. Dr. Martius, “Golss. Ling. Braz.” Pag 524.

  1. Nomeado por Carta Imperial de 5 de Abril de 1848.