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DO INSTITUTO DO CEARÁ


O tempo comportava esses excessos, já depois da dissolução da Constituinte, em fins de 1823, quadra anormal e penivel para os liberaes, então mais geralmente conhecidos por patriotas.

Por causa das idéas do patrão, o inoffensivo e joven caixeiro era tão duramente castigado!

Felizmente a violencia durou pouco. O general Catêtte, amigo do pharmaceutico, fêl-o evadir-se pela grade da prisão, tão magrinho elle era, e refugiar-se a bordo de um navio mercante, que estava a largar para o Recife.

O commandante, a quem o moço havia sido recommendado, recommendou-o tambem, por sua vez, ao negociante portuguez d’aquella praça, Manoel Gonçalves da Silva, que o acolheu benevolamente em sua casa.

Por felicidade sua, achava-se igualmente hospedado na mesma casa o negociante e consul portuguez nesta praça, Manoel Caetano de Gouvêa, que com elle sympathisou, convidou-o e trouxe-o para seo caixeiro.

Foi a fortuna de ambos.

Mal pensava Gouvêa que trazia em sua compainha um homem superior que lhe havia de ser tão util e seo amigo! Mal pensava tambem o desventurado caixeiro que o destino o levava para a sua terra promettida!

E’ que assim tinha de ser.

Atirado nas plagas cearenses, como o naufrago em terra estranha, vae elle agora transformar-se no benfeitor da humanidade, no chefe politico incomparavel.


II


Em 1825 chegaram á esta capital.

Coincidio a sua chegada com a secca terrivel que nesse anno assolou a Provincia, e com os summarissimos julgamentos dos cabeças da revolução do Equador pela Commissão Militar.

Em quanto a natureza em braza fazia dizimar a popu-