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REVISTA TRIMESTRAL


Acabava de ser promulgada a lei de 19 de Setembro de 1855, que dividio as províncias em circulos eleitoraes; de um só deputado e incompatibilisou a magistratura.

Era uma verdadeira conquista da idéa liberal, a cujo serviço o marquez de Paraná, presidente do conselho de ministros, poz seos talentos e grande prestigio.

Isto vem para dizer que a victoria foi arrancada aos co-religionarios vencidos, mas não convencidos.

Euzebio de Queiroz, o chefe mais eminente do partido conservador da Côrte, tocára á postos contra a invasão, e vira-se no momento acercado de toda a deputação cearense.

O successo repercutio na Provincia como triumpho liberal; e, si não o foi em sua total consequencia, tal vez não fosse sinão porque a morte supprimio logo depois da lista dos vivos o chefe do gabinete, substituido pelo marquez, depois duque de Caxias[1], que apenas não exagerou a victoria contra o seo partido.

Mas o seo delegado na Provincia, Dr. Paes Barretto[2], manteve sempre tão inteira neutralidade na administração, que por mais de uma vez chegou a merecer louvores da imprensa liberal, em uma quadra climaterica, em que seos antecessores não haviam escapado da mais desabrida opposição.

Estavam marcadas as eleições primarias para 3 de Novembro, nas quaes deviam-se apresentar os conservadores[3], contando somente com os seos proprios re-


  1. Falleceo o marquez de Paraná a 3 de Setembro de 1856, mas, tendo enfermado gravemente desde 23 de Agosto, o marquez de Caxias, minístro de guerra, assumio interinamente neste dia a presidencia do conselho e effetivamente n’aquelle.
  2. Francisco Xavier Paes Barreto foi nomeado por Carta Imperial de 15 de Setembro de 1855, e tomou posse a 13 de Outubro seguinte. Tendo deixado a administração a 9 de Abril de 1856, para tomar assento na Camara temporaria, reassumio-a a 11 de Outubro do mesmo anno.
  3. Data desse tempo a denominação de "conservadores para os "caranguejos, dada por Euzebio de Queiroz quando no seo monumental discurso de 16 de Junho de 1855, geralmente conhecido por "canto de cysne," porque foi o ultimo que pronunciou digno de seos creditos de grande orador, combateo pela "conservação" da legislação vigente contra as innovações do governo, que pregava a "Conciliação".