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DO INSTITUTO DO CEARÁ


Na capital foi onde a tempestade mais se agitou.

O Dr. Pedro Pereira apresentou-se em competencia com o Dr. Machado, candidato da chapa.

Contava com dous elementos: a patuléa formada de desgostosos, que o competidor havia levantado na sua recente chefatura de policia da Província, e a confiança em que Ferreira, quando não o apoiasse,não guerrearia o seo antigo companheiro de luta contra o equilibrismo.

Ferreira envidou todos os meios conciliatorios para dissuadil-o de tão desarasoada pretensão, mas debalde.

Pedro Pereira recusou até a supplencia com compromisso formal de tomar assento por dous annos.

Ou tudo, ou nada!

O que fazer em tal caso? O politico é um machinista exposto a todoa os perigos sobre a machina de fogo e aço que o conduz. Eu queria ver no seo logar os çriticos que o condemnam.[1]

Não era do caracter de Ferreira a duvida, a incerteza, quando se tractava do cumprimento do dever.

Já havia esgotado todos os recursos d’amisade; restava-lhe somente a luta inevitavel.

Pedro Pereira exagerou-se demais crêando o Sol, jornal joco-sério, em que procurou mettel-o a ridículo, sua arma predilecta e aterradora.

Ferreira limitou-se a salvar o candidato da chapa ; mas, si perdôou as injurias, gratuitamente atiradas, nunca poude olvidar a ingratidão; porque esta, como diz Tacito, podemos calar; não está, porem, em nós esquecel-a.

Não menos amarga foi-lhe a scena inqualificavel de indisciplina do seo partido, outr’ora tão arrigimentado e cheio de abnegação.

Os seos amigos mais intimos acreditaram que d’ahi se originára a molestia terrivel, que levou tres annos a minar tão preciosa existencia.


  1. Phiarete Chasles, « A Psycologia Social », Pag. 10.