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a campanha de canudos

já feito. Para uma campanha de fanatismo religioso[1] compre confessar — que o castigo, infligido assim, acogulava a medida da justiça e da necessidade.

Não obstante, a capital da Babia, apreciando ó aconteci­mento nas suas linbas geraes, e pelo prisma dos effeitos beneficos que deveria produzir, acolheu fidalgamente as forças ao chegarem ellas de Canudos. Tambem, com pequena demora, cada corpo seguiu para o logar de sua parada. Quanto á divisão naval que, desde abril, achava-se em operações no Estado, a 18 de novembro voltaram para o porto do Rio de Janeiro o cruzador Quinze de Novembro, a 24 o Trajano e o Andrada, e a 28 a Tymbira. Ficaram ainda na Bahia o cruzador Parnahyba e o patacbo Caravellas, por terem sido desligados da mesma divisão.

Nota interessante. A mocidade, que frequentava a Faculdade livre de direito da Bahia, destoou do concerto de ovações, en­toadas aos recem-vindos de Canudos; e lançou manifesto expli­cando as razões por que não tomava parte nos festejos.

Eis o que elles escreveram:

« A’ nação. — Os signatarios da presente publicação, alumnos da Faculdade de direito da Bahia, tendo até agora esperado em balde que alguma voz se levantasse para vingar o direito, a lei e o futuro da republica, conculcados e compromettidos no cruel massacre que, como toda a po­pulação desta capital já sabe, foi exercido sobre prisio­ neiros indefesos e manietados em Canudos, e até em Queimadas; e, julgando ao mesmo tempo que, nem por haver cumprido um dever rigoroso, ó licito ao soldado de uma nação livre e civilizada collocar-se acima da lei e da humanidade, postergando-as desassombradamente, vêm declarar perante os seus compatriotas— que consideram um crime a jugulação dos miseros « conselheiristas » , aprisionados, e francamente a reprovam e condemnam, como

uma aberração monstruosa que si chegasse a passar sem

  1. Dantas Barreto, Ultima expedição a Canudos.