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a campanha de canudos
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E’ de toda justiça aqui notar—que entre as provas de desvello e carinho tributadas aos feridos, enviados para os hospitaes da capital da Bahia, merecem menção particular os soccoros distri­buidos pelo Comité Patriotico, fundado pelo cidadão F. Wagner.

Desgraçadamente, o destino havia reservado para epilogo dos acontecimentos que ficam narrados uma scena brutal e sanguinaria, impropria de um povo civilizado, cuja reputação em caso nenhum deve ser maculada.

O ministro da guerra já se tinha recolhido á Capital Federal. E no dia 5 de novembro era esperado da Bahia o general João da Silva Barbosa, a quem o povo preparara festiva recepção, como homenagem aos bons serviços por elle prestados em Canudos.

O dr. Prudente de Moraes, honrado presidente da republica, e o marechal Carlos Machado de Bittencourt, digno ministro da guerra, quizeram associar-se ás expansões do regosijo popular. Quando, porém, com esse intuito achavam-se ambos no arsenal de guerra do Rio de Janeiro, o anspeçada do 10° batalhão de infantaria do exercito — Marcellino Bispo de Mello investiu do punhal contra o venerando chefe da nação.

Mas, a arma homicida, tendo resvalado, foi ferir o general Luiz Mendes de Moraes, e se cravar em cheio no coração do ma­rechal Machado de Bittencourt.

A republica inteira estremeceu de indignação, sabendo a noticia do pavoroso attentado, que fôra concebido nas trevas pelo odio e pela injustiça. E a voz unanime do povo se levantou para condemnar a perversidade dos criminosos, ao mesmo tempo que dignificava a memoria da victima illustre da dedicação e do dever.

O Congresso nacional, correspondendo aos anhelos do paiz inteiro, votou uma pensão para amparar a família do mallogrado militar.

Marcellino Bispo, entretanto, resolvera evitar o julgamento, que o aguardava; e, quando menos era de prever, suicidou-se na prisão onde estava recolhido. Dos mandantes do crime, o capitão Deocleciano Martyr, Umbelino Pacheco e José de Souza Velloso foram já condemnados pelo jury. Os outros, porém, não quizeram ainda se submetter a julgamento.