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a campanha de canudos


Aponta-se como causadora de todas essas novidades uma carta, escripta pelo coronel Francisco de Salles Silva, cidadão conhecido, e digno de credito.

Achavam-se as cousas neste pé, quando chegou ás mãos do governador um telegramma urgente, passado pelo juiz de di­reito da comarca do Joaseiro, e concebido nos termos a seguir:


«Joaseiro, 29 de outubro de 1896 — Conselheiro Go­vernador — Noticias transmittidas por positivo confirmam boato da vinda do perverso Antonio Conselheiro, reunido a bandidos; partirão Canudos 2 vindouro. População receiosa. Cidade sem garantias. Requisito energicas providencias. — O juiz de direito, Arlindo Leone. »

A pezar do que fica exposto, o coronel João Evangelista Pereira de Mello e outros cidadãos qualificados do Joaseiro não acreditavam nos boatos, que por toda parte circulavam, de intenções hostis attribuidas ao Conselheiro e seu séquito. Ten­tando acalmar os animos, excitados por novas progressivamente alarmantes, o referido coronel assegurava — que o asceta de Canudos não penetraria na cidade; pois ainda quando acompa­nhasse a sua gente, seria com certeza para aguardar a remessa do taboado em Jacaré, como já de outra feita havia praticado.

O juizo assim expendido não calou, com tudo, no animo da população sobresaltada; e dahi resultou a expedição do te­legramma, que jà deixei trasladado.

O governador — conselheiro Luiz Vianna, em resposta ao juiz lhe ponderou — que não podia mover força, induzido por simples boatos; mas ao mesmo tempo, lhe recommendou — que mandasse vigiar as estradas em distancia, e, verificado o movimento dos bandidos, avisasse por telegramma, pois o Governo ficava prevenido para enviar in continenti, num trem expresso, a força necessaria para rechassal-os e garantir a cidade.

Era esta a situação quando, a 4 de novembro, o dr. Arlindo Leone dirigiu novo telegramma ao governador, nos termos que se vão ler:


« Conselheiro governador — Pedro Seraphim, emis­sário Conselheiro, chegado fazenda tenente Motta affirma