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a campanha de canudos


real dos jagunços, entre outras informações, escrevia — que a força estava anciosa para dar combate ao Conselheiro, o qual não tinha mais de 1.000 combatentes, com armas atrazadas.

A tudo isto se juntava a circumstancia de haver o com man­ dante da 1ª expedição dito ao governador — que si dispusesse de mais 100 praças em Uáuá, teria batido a gente de Antonio Conselheiro, e tomado Canudos.[1]

Não será de mais recordar aqui que, tendo chegado a Monte Sancto, depois de tres dias de marcha a expedição commandada pelo major Febronio de Brito, foi recebida com as maiores de monstrações de enthusiasmo e alegria. Despertara ella a maxima confiança a todos que receiavam as aggressões dos fanaticos, e pensavam — que muito importava pôr cobro áquelle escandalo, o terminar aquella vergonha de Canudos.

E si houve, ao depois, quem criticasse a demora de 17 dias, que a expedição teve ali, se comprehende o facto perfeitamente bem. Nesse espaço de tempo, o Conselheiro poderia preparar meios mais efficazes de defesa, reunir os seus proselytos ausentes, re­ceber auxilios de toda ordem, remettidos de fóra. Acrescia — que a pastagem estava já rareando, e talvez dentro em pouco desapparecesse de todo, o que prejudicaria immensamente a ca­valhada ao serviço da expedição.

Mas, o commandante desta justificava a sua demora com a falta de soldo para a força federal, o que fez o governador da Bahia adiantar 20:000$000 pelos cofres estadoaes, afim de attender áquelle pagamento, removendo conseguintemente o obstáculo allegado.

Notou-se, comtudo, que, durante a permanência da força em Monte Sancto, ninguém houvesse suggerido a idéa de se ex­plorar cautelosamente o terreno, escolher sítios com aguadas e pontos para deposito de provisões, como meios de prevenir accidentes da luta prestes a se travar.

  1. Mensagem do cons. L . Vianna, dirigida á Assembléa legislativa da Bahia, em 7 de abril de 1897.