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a campanha de canudos

ponderar tambem — que eram muito sensíveis as desvantagens da preferencia dada, não inferiores com certeza ás do alvitre preterido.

« E si Antonio Conselheiro dispuzesse de forças numerosas, teria mandado— pelo caminho mais curto— atacar Monte Sancto, bater e desbaratar totalmente a brigada pela retaguarda e flancos, bem como remover para o seu arraial as munições de bocca e guerra de que havia grandes depositos em Monte Sancto ; ou com mais facilidade ainda poderia ter feito tudo isso atacando a brigada pela frente, quando ella retirou-se pelo mesmo caminho, em completa debandada e desordem, depois de rechassada do assalto ao arraial de Canudos.»[1]

E’ possivel que essas duas ultimas circumstancias esca­passem ao commandante da expedição, por não confiar elle na tactica dos jagunços.

Mas, a subita resolução do ataque, nas condições conhecidas de cansaço da tropa, e falta de exploração do terreno, indubi­tavelmente foi mal inspirada.

O que, porém, levou o coronel a tomal-a ?

A opinião mais corrente é que elle agiu sob a influencia de uma crise nervosa.

« Vizinho do arraial de Canudos, diz um medico illustre com referencia ao coronel Moreira Cesar, vizinho do arraial de Canudos, no ponto escolhido para acampamento das tropas fatigadas pela jornada, planejado o assalto para a manhã seguinte, toma-o o desejo de começar a peleja neste mesmo dia; e este desejo é irrefreiavel, domina-o inteiro, e carece de uma satisfação immediata, que a obediencia ou o terror de seus commandados não sabe de modo algum re­cusar. Na acção, sua attitude ó a de um louco desnorteado, atravessando a linha de fogo sem ver o perigo, aos gritos de viva a republica; achando-se á frente dos combatentes, no mais acceso da luta, offerecendo um alvo esplendido ás balas inimigas. E uma dellas veio-lhe destinada.

  1. Jornal do Commercio, de 19 de novembro do 1898.