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a campanha de canudos
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Hoje, o peso de suas culpas deve ser muito menor... e a justiça o terna irresponsável, pois elle obedecia ás determi­nações de um estado morbido, era um instrumento passivo de sua epilepsia.»[1]

E a epilepsia, como ninguém ignora, si póde fazer o homem descer até à ignominia, pôde tambem eleval-o ás culminancias da gloria.

A sciencia attesta — que Julio Cesar e Napoleão foram dous verdadeiros epilépticos, assim como Calligula e Torquemada outras victimas do mal sagrado.

Parece mesmo — que as syncopes soffridas pelo coronel Moreira Cesar, em caminho para Canudos, foram grandes accessos da enfermidade que o torturava o se fazia notar por convulsões parciaes.

Sabe-se quanto o coronel fôra accusado por actos prati­cados no Estado de Sancta Catharina. Os annaes do Congresso Nacional guardam discursos vehementes, condemnando o pro­cedimento violento, senão deshumano, que esse militar tivera para com seus concidadãos, conhecidos ou simplesmente suspei­tados de revoltosos. Agora, entretanto, se póde melhor avaliar o facto, se reconhecendo — que o coronel Moreira Cesar era um doente.

Desta opinião partilhou francamente o decano da imprensa brazileira, que a seu turno se occupou de estudar o caracter e os actos do temerario de Canudos. E foi elle que assim se ex­primiu:

« Em Laginha, entre Monte Sancto e Cumbe, foi o coronel Moreira Cesar acommettido de dous ataques consecutivos de epilepsia, dessa terrivel enfermidade que, segundo nos consta, começou a soffrer em Sancta Catharina, onde foi tratado pelo dr. Franco Lobo.»[2]

Como quer que fosse, a morte do coronel Moreira Cesar, e o consequente mallogro da terceira expedição a Canudos cau-

  1. Dr. Julio Afranio Peixoto — These inaugural, apresentada á Faculdade de medicina da Bahia — 1897.
  2. Jornal do Commercio, de 19 de novembro de 1898.