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a campanha de canudos


Felizmente, aos conceitos immerecídos da imprensa carioca oppoz a imprensa bahiana a contestação mais positiva e formal. Em telegramma, datado de 14 de março, os oito jornaes existentes na capital do Estado protestaram energica e dignamente, não só contra a qualificação de monarchista, conferida à maioria da po­pulação, mas ainda contra as insinuações perfidas, com que se deixava perceber — que as autoridades estadoaes não eram estranhas às victorias de Antonio Conselheiro.

Os estudantes das escolas superiores da Bahia publicaram — por sua vez — um manifesto. E nesse documento, firmado a 9 de março de 1897, ha um trecho muito expressivo, que calha perfeitamente aqui.

Diz elle: « Espíritos ligeiros para os quaes uma apparencia jámais carecerá de provas, fundando-se na presupposta indifferença dos bahianos, e na extravagante accusação de cum­plicidade ficta, irrisória, absurda, dos Poderes do Estado na obra deleteria de um grupo de bandidos sem lei e sem ideaes não hesitaram em atirar á Bahia a injuria de uma suspeita eminentemente odiosa, revoltadoramento injusta.

Por isso nós, estudantes das escolas superiores desta cidade, resolvemos explicar perante os republicanos dos outros Estados as razões de nossa attitude, as quaes constituem ao mesmo tempo a justificação completissima do procedimento da Bahia inteira .»[1]

Para confirmar a opinião de que o coronel Moreira Cesar não contara com o valor, o numero e a disciplina dos jagunços temos o testemunho insuspeito do dr. Manoel Victorino Pereira, então vice-presidente da republica e organizador da 3ª expedição.

O eminente bahiano, a proposito, escreveu: «quando o Governo lhe dava ( ao citado coronel) plena liberdade de acção e punha á sua disposição toda a força de que elle houvesse mister, o distincto patriota recusava, declarando — que requisitaria

qualquer reforço si fosse preciso, porém de patriotas, porque

  1. Correio de Noticias, da capital da Bahia, n. 1444, do 23 de março 1897.