Página:A escravidão dos negros.pdf/103

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NÓTAS



A.
Sobre o trafico dos negros.
veja-se pag. 25.


Eis a observação do grande Augusto Comte, a que nos referimos em a nossa nòta da pg. ácima:

« Um capcioso proselytismo social, quasi sempre cégo e indiscreto, tem procurado, frequentemente e sobretudo na actualidade, mesmo quando estava plenamente sincero, fazer desconhecer o conjuncto das influencias reaes relativas a esta odiosa instituição (a escravidão), representando-a e bem assim o seu correlativo infame trafico, como uma fonte de melhoramentos reaes para a infeliz raça negra, cuja situação espontanea parecia mais deploravel do que a nova condicção que artificialmente se lhe impunha. Este caso constitue — parece-me — o primeiro exemplo capital da activa applicação de um sophisma perigosissimo que — baseado na completa ignorancia das leis fundamentaes proprias á successão, necessariamente gradual, das diversas phases essenciaes da sociabilidade humana, — póde tornar-se para os modernos um principio habitual de perniciosas perturbações, provocando, por meio de uma intervençào irracional violenta, a desnaturalisação profunda da marcha original das civilisações atrazadas. Póde-se, com effeito, dizer que, em virtude de sua espontaneidade, a escravidão indigena, a que são arrancados os negros, constitue em seu estado social, uma situaçào verdadeiramente susceptível de tornar-se pro-