Página:A escravidão dos negros.pdf/17

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xiii

ção do regimen de traballho, tão completo me parece ser o projecto proposto e discutido n'estas paginas admiraveis, que nutro a convicção de que mesmo a segunda parte do trabalho que óra offereço á leitura e á meditação de meus compatriotas ha de influir muito sobre a direcção das idéas na grande questão que óra pende de uma solução definitiva em o nosso paiz.

     Quanto a primeira parte, nem uma restrícção se lhe póde fazer. Considerando o problema sob o ponto de vista geral o aulhor analysou e refutou, uma por uma, todas as objecções que o interesse levanta contra a abolição da escravidão e destruio todas as desculpas com que a cobiça e a crueldade procuram occultar-se sob um falso patriotismo e uma humanidade fingida.

     Não é de hoje que o interesse particular procura sempre ligar a sua propria sórte á do interesse geral; e as suas objecções e desculpas são sempre as mesmas: nem outras pôde elle allegar. E' por isso que, já em 1781, o illustre Cundorcet rebatia com vantagem inegavel e brilho inexcedivel todos os argumentos com que óra o escravagismo brasileiro corre em defeza dos seus proprios interesses sitiados pelas vigorosas valentes baterias que os paladinos da cruzada abolicionista assestaram contra elles.

     Assim, pois, o presente trabalho do illustre author do Esbôço de um quadro histórico dos progressos do espirito humano é, ao mesmo tempo, obra de propaganda e de estudo. Portanto, si estudando-a cumpri o dever de instruir-me, traduzindo-a e publicando·a consigo duplo fim: — o de prestar homenagem á causa da liberdade e á cruzada que em sua defesa ergue-se imponente e inspirada pelo mais sublime de todos os sentimentos, — o amor da humanidade —, e o de cumprir fielmente esse