Página:A escravidão dos negros.pdf/22

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xviii


pamphletos na esperança de ser eleito membro da Camara dos Communs e de vender·se á Côrte na primeira modificação ministerial. Sou simplesmente um pobre homem que gosta de dizer com franqueza sua opinião ao universo, apezar de achar muito nalural que o uni verso o não escute.

     « Sei perfeitamente que nada de novo adianto para as pessôas cultas; mas que, tambem, não é menos certo que, si as verdades que se encontram em minha obra fossem tão triviaes para o geral dos francezes, inglezes, etc., a escravidão dos negros não poderia subsistir. No entretanto, é bem possivel que estas reflexões não sejam mais uteis ao genero humano do que os sermões que, ha vinte annos, prégo aos meos comparochianos.

     « Concordo; mas nem por isso deixarei de pregar e de escrever emquanto restar-me uma gotta de tinta e um pouco de voz.

     « Além d'isso, não pretendo vender-vos o lIleu manuscripto. De nada careço, e até restituo aos meus comparochianos os vencimentos de sacerdote que o Estado me paga. Dizem ser egualmeule este o uso que fazem de seus rendimentos os membros do cléro de um grande reino, depois que, ha cerca de trinta annos, declararam solemnemente — que seus bens eram os dos pobres.

     « Tenho a honra de ser, respeitosamente, etc., etc.

«  (Assignado:)- Joachim Schwartz. »


     Esta carta pareceo-nos de um homem tão bom, que resolvemos imprimir a sua obra. Custar nos·ha as nossas despezas typographicas e aos leitores algumas horas de tédio.

Os Edictores.