Página:A escravidão dos negros.pdf/47

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CONDORCET
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um vestuario grosseiro.[1] O jornaleiro mais coagido pela defficiencia de trabalbo exigiria um salario maior. Além d'isso, o jornaleiro, óra quer ganhar mais no intuito de fórmar algum capital, óra quer trabalhar menos tempo para poder divertir-se; e si elle emprega no trabalho todas as suas forças, exige uma indemnisação correspondente. Com os escrav-os, é o chicote que impõe o preço, augmentando, á vontade do senhor, a tarefa; na cultura livre, é a concurrencia reciproca dos proprietarios e dos trabalhadores que fixa o preço. Na cultura escrava, o preço depende, portanto da cobiça do proprietario; porém, o producto bruto é tambem menor do que o da cultura livre. Não é, pois, o interesse d'augmento da cultura que incita á deffesa da escravidão dos negros, mas o interesse d'augmento do lucro para o colonos. Não é o interesse geral da patria, mais ou menos fundado; é simplesmente a cobiça e barbaridade dos proprietarios.

     A abolição da escravatura não arruinaria, nem os colonos, nem o commercio; no contrario, tornaria mais florescentes as colonias e mais prospero o commercio .[2] Seu unico mal seria impedir que alguns homens barbaros se enriquecessem á custa do suor e do sangue de seus irmãos. Em uma palavra, a população em geral ganharia com

  1. Em algumas fazendas, no nosso paiz, os negros da roça usam, como unico vestuario, uma simples tanga amarrada á cintura.

    N. do T.

  2. V. nota B no fim do volume.