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CONDORCET
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tuir-lhes seus direitos, do que garantir-lhes o bem-estar.

     Taes as razões que nos levaram a acreditar que o partido de não restituir á todos os captivos ao mesmo tempo o gozo de seus direitos póde não ser incompativel com a justiça. Essas razões parecerão, sem duvida, muito fracas aos amigos da justiça, da razão e da humanidade; porém, uma emancipação geral exigiria despezas e preparativos e, em sua execucção, uma firmeza e perseverança de que bem poucos homens seriam capazes. Demais, seria mistér — que muitos homens reunissem á essas qualidades o desinteresse, o amor do bem e a coragem, — que a revolução fosse o producto da vontade propria de um soberano apoiado pela opinião publica[1],-ou da de um corpo legislativo cujo espirito fosse constante; por quanto, si o plano e sua execucção dependessem da vontade de um unico homem e da actividade de alguns cooperadores. todos experimentariam immediatamente a sórte á que o genero humano — sempre ignorante e barbara — tem condemnado todos os que teem ousado defender o fraco contra o forte e oppôr a justiça ao espirita de cobiça e de interesse.

E... tal exemplo medonho, junto aos preconceitos que os partidarios dos abusos teem conseguido espalhar contra as novidades, bastariam para prolongar por muitós seculos ainda a escravidão dos negros.



  1. Esta seria a condição necessaria no Brazil.

    N. do T.