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CONDORCET
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com pureza de sentimentos; porém, — mais preoccupados com o serviço militar do que com as leis, —faceis de se deixarem seduzir pela hypocrisia dos propietarios e —, revoltados contra a corrupção dos escravos, que não sabem como aquelles occultar seus vicios, — pouco philosophos para sentir que tal corrupção é uma razão de mais para lamental-os e odiar os seus tyrannos, — e ligados a estes pelo sangue, pelo interesse e pelo habito; — teem cedido, ou ao preconceito que faz crer necessaria a escravidão, ou á falta da coragem indispensavel para tractar de destruir a escravidão dos negros.

     Este, que não receia a morte, receia desgostar os que o cercam; aquelle, que affronta o canhão em uma batalha, não ouzará affrontar inimigos secretos habituados á zombar da humanidade. Si os sacerdotes christãos estabelecidos nas ilhas conhecessem os principios da sua propria religião, — si tivessem a coragem de seguil-os na pratica — ¿ministros do santo Envagelho, admittiriam os senhores d'escravos nos lavapés? ¿Os sacerdotes da Igreja Romana os admittiriam á communhão ? — ¿Dar-lhes-hiam a obsolvição?

     ¿!Não são, porventura, os proprietarios d'escravos peccadores publicos, homeos contaminados por um crime publico renovado diariamente?![1]

     Entre os medicos que attravessam o mar, muitos ha, em grande numero, que são arrastados pelo simples desejo de ver cousas novas; e si o governo proceder á uma es-

  1. V. nóta G no fim do volume.