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A escravidão no Brasil — e as medidas que convem tomar para extinguil-a, sem damno para a nação


Fundo, no seio da sociedade brasileira, tem penetrado as raizes malditas do cancro da escravidão.

Legado funesto de tempos barbarescos, em que o próprio Aristóteles punha a philosophia a seu serviço, e os sábios Brahamanes fazião o céo intervir em sua confirmação, essa lepra social tem resistido a todas as revoluções salutares que reconstruirão o mundo segundo a lei de Christo, e segundo os princípios de 1789.

Condemnada pela religião santa da Cruz, que consagra o dogma ineffavel — da egualdade de todos os homens em Deus;

Condemnada pela civilisação do século XIX, que firmou o grande principio — da egualdade de todos os homens perante a lei;

Condemnada, finalmente, pela economia política, que demonstra como o braço livre produz mais e é mais efficaz e industria do que o braço escravo: essa lamentável aberração do espirito humano ainda é condemnada pela moral, cujas leis não se compadecem com os sentimentos depravados de uma raça embrutecida; e reclamão em nome da família e da sociedade a sua rehabilitação pela pureza dos costumes e pela pratica do bem.

O escravo, entre nós, e onde quer que existe, é considerado não como pessoa, mas como cousa!

Para quem o possue, elle não é mais que uma propriedade, bens da fortuna, dos quaes procura tirar todo o proveito, todo o lucro possivel!