Página:A guerra europea, discurso proferido pelo Ministro da Fazenda por David Lloyd George.pdf/2

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A GUERRA EUROPEA.
PORQUE É QUE SE ACHA IMPLICADA A HONRA NACIONAL.

Não ha homem que com maior reluctancia e maior repugnancia tenha encarado como eu, em toda a minha carreira politica, a perspectiva de se ver envolvido em uma grande guerra—(ouçam, ouçam)—e da mesma forma não ha homem mais convencido do que eu, de que só a poderiamos ter evitado sacrificando a pundonor nacional.   (Grande applauso.)   É facto tambem por demais conhecido, que toda a nação que uma vez se acha envolvida em guerra sempre tem invocado o sagrado nome da honra.   Muitos são os crimes que em seu nome se tem comettido e que presentemente se estão comettendo.   Muito embora isso, a honra nacional é uma realidade e ai da da nação que assim o não considere.   (Ouçam, ouçam.)   Porque é que a honra do nosso paiz se acha envolvida nesta contenda ?   Em primeiro logar, estamos compromettidos por honrosas obrigações a defender a independencia, a liberdade, a integridade, de uma pequena potencia visinha que sempre viveu em paz.   (Applauso.)   A sua fraqueza não lhe permittiria forçar-nos a fazel-o, mas todo aquelle que se esquiva a cumprir o seu dever porque o crédor é pobre demais para o compellir a isso, não passa de um ruim villão.   (Grande applauso.)   Entrámos como participantes em um tratado, um solemne tratado-dois tratados-defender a Belgica a sua integridade.   As nossas assignaturas acham-se affixadas no documento, assignaturas que de resto se não encontram isoladas pois não foi este o unico paiz que se comprometteu a defender a integridade da Belgica.   Lá estão tambem as da Russia, França, Austria e Prussia.   Porque é que a Austria e a Prussia não estão cumprindo com a sua parte do contracto ?   Ha quem tenha suggerido que as nossas referencias a este tratado nada mais representam do que uma desculpa de nossa parte, manigancias e velhacaria para encobrir o nosso ciume de uma civilização superior (hilariedade) que estamos tentando destruir.   A nossa resposta é o nosso modo de proceder em 1870.   (Ouçam, ouçam.)   Qual foi elle ?   Era então Presidente do Conselho Mr. Gladstone.   (Applauso.)   Se bem me recordo, Lord Granville era o Ministro dos Negocios Extrangeiros e nunca me constou que jamais tenham sido considerados como Ferrabrazes.

A FRANÇA E BELGICA EM 1870.

O que é que elles fizeram em 1870 ?   Achavamo-nos então ligados por aquelle tratado.   Intimámos as potencias belligerantes a respeital-o.   Intimámos a França e intimámos a Allemanha.   É preciso ter presente que nessa occasião o maior perigo para a Belgica provinha da França e não da Allemanha.   Interviemos para proteger a Belgica contra a França, precisamente o que agora estamos fazendo para a
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