1 Mais acima a pag. 4 e na Nota 9 deixei dito que este pequeno estudo appareceu em primeira edição na Arte Portugueza, Lisboa 1895.
2 Vid. mais acima pag. 6 e 36, assim como Nota 15.
3 O renome do erudito antiquario eborense era e é tal, que o auctor da Bibliotheca hispana não exagerava muito quando dizia, com relação a Hortensia de Castro: In Andrea Resendii monumentis alernum vivet. «Eterna vive no monumento que lhe pôs André de Resende.»
4 Vid. Notas 54 e 55.
5 E, porém, justo confessar que Barbosa Machado dispunha de mais alguns materiaes, devidos a investigações proprias ou ao trabalho dos seus predecessores. ― Não compulsei o Parnasso de Villa Viçosa de Francisco Moraes Sardinha, nem tenho à mão a Evora gloriosa de Francisco da Fonseca. E nunca tive ensejo de ler um artigo de Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara na Revista universal lisbonense (5 de outubro de 1844), que se occupa dos talentos feminis portugueses, e faz, dizem, enthusiastica commemoração de Hortensia.
6 Já disse que Faria e Sousa não a conheceu. O mesmo vale de Duarte Nunes de Leão, que, no capitulo da sua Descripção de Portugal, dedicado á habilidade da mulher portuguesa para as letras e artes liberaes, não colloca Hortensia ao lado das infantas, princesas, fidalgas e mestras regias que celebra.
7 A gravura diz apenas Hortensia, ou antes, com orthographia claudicante, Hortencia. Todos os mais a chamam Publia Hortensia. O italiano diz expressamente que lhe deram os dois nomes, por sua muita litteratura. A' filha do opulento causidico, Q. Hortensius Hortulus, não pertence, todavia, o nome Publia ― Deveremos pensar, portanto, que Thomé de Castro deu a sua filha, no acto do baptismo, o nome Publia? Que illustre latinista seria então o seu padrinho? Não conheço outra Publia portuguesa entre as Quinhentistas. Os nomes romanos não estavam então na moda. ― O Padre Joaquim José da Rocha Espanca affirma que o nome não foi adoptivo, porque o viu em varias escripturas (notas publicas), em que figura o irmão Frei Jeronymo de Castro como testamenteiro de Hortensia. Vid. Compendio de Noticias de Villa Viçosa 1892, p. 440.
8 Vid. mais acima a pag. 94 a Nota 215b.
9 Barb. Mach., 1, 924Pb. ― Vid. supra Nota 212.
10 Joanna da Gama, freira em Evora depois de ter enviuvado, morreu em 1586. Os seus pensamentos e versos foram impressos ahi mesmo (1555) e no Porto (1872) em nova edição.
11 Isenção das ricas optimates de certos impostos que os questores lhes queriam lançar.
12 Quintiliano, 1. 1. 6. ― Valerio Maximo, VIII, 3.3.
13 «Vossa Alteza me ha mandado tirar os versos do Psalterio com que se pudessem pedir a Deus quatro cousas: vida e victoria para o Principe D. Duarte, seu carissimo filho e principe nosso; item que Deus o livrasse dos perigos da terra, do mar e dos inimigos. E V. A., como mais conversa com os ceos que com nós outros, me deu a ordem como compuzesse o psalmo, em o qual havia de pedir estas quatro cousas que me manda; scilicet que o Psalmo comece em louvores de Deus, o qual eu observei; porque no principio ponho um ou dois versos invitatorios ou que nos convidam a louvar a Deus, e logo um verso com que V. A. louva a Deus», etc. etc. ― Barb. Mach., 11, 629b.
14 Não digo a unica, porque estou lembrada de D. Isabel de Castro e Andrade que «defendeu conclusões de philosophia e theologia no convento do Varatojo».
15 Comparem o português dos humanistas com o seu latim. ― E' verdade que a dicção de Barros e as proposições masculas de Goes já significam um grande progresso, mas, na minha humilde e heretica opinião, não houve bom estylo em prosa portuguesa antes de Brito e frei Luis de Sousa.
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