Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/164

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Christina, que já tremia de assustada, cingiu o braço de Magdalena, como para convidal-a a intervir.

Esta não o tinha ainda feito por uma simples razão. Desconhecia Augusto. A audacia com que o via repellir as ironías do seu adversario, a firmeza inalteravel, com que lhe sustentava o olhar, o sorriso, que, em desdéns, rivalisava com o d’elle, eram tão novos para a morgadinha, que a surpreza, que d’ahi lhe vinha, nem a deixava ainda perceber a utilidade de uma intervenção. O aviso de Christina chamou-a, porém, á realidade.

—­Tem-me querido parecer, ainda que me custa a acreditar, que isso entre os senhores é uma altercação—­disse ella por fim.—­Vejam que só teem por testemunhas duas mulheres, que mal lhes podem servir de padrinhos, se a contenda tomar outra feição. Por isso não é muito para louvar a escolha que fizeram da occasião, para uma justa tão pouco... amavel.

—­Perdão, prima Magdalena; reconheço a minha culpa, e a grosseria do meu procéder. Mas aquí o sr. Augusto, costumado a impôr aos discipulos o seu pensamento, quiz estender até mim este despotismo de... magister... Ora o meu pensamento pugnou pela sua independencia...

—­Desculpe; suppondo-o um homem de brio e de pundonor, julguei que me agradeceria, se conseguisse modificar-lhe uma opinião desfavoravel, que levianamente formou de quem lh’a não merecia. Vejo que préfère ser injusto. Seja-o. Pense o que quizer. Mas o que eu não soffro é que se diga deante de mim uma palavra contra um homem que respeito e de quem sou amigo, sem que erga a voz a defendel-o. Se não costuma fazer o mesmo por os seus, nem sente viva e irresistivel a necessidade de o fazer, lastimo-o; é porque não os tem.

—­Com maïs paz de espirito se discutirá tudo