Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/176

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veitemos este intervallo de socego para entrarmos na taberna.

Tinham passado dois dias depois do passeio ao monte, que descrevemos.

Henrique de Souzellas teve de condescender com uma lève angina, que lhe legaram os rigores d’aquella excursão, e ficou em Alvapenha, entretendo-se a escrever cartas aos amigos e a scismar n’uma imminente desorganisação da larynge, a que imaginava conduzirem-o os seus incómmodos actuaes.

No Mosteiro nada tambem occorreu, que mereça narrar-se ao leitor.

Deixemos, pois, por momentos, os nossos conhecidos, e vejamos o que dizem os frequentadores do estabelecimento de Damião Canada.

Brilhante é a assembleia alli reunida. Além do proprietario, barriguda e rubicunda figura, que, assim posta ao pé das pipas, podia servir de typo para a representação de um Sileno, havia varias individualidades de peso nos destiños de toda a comarca.

Dê-se primeiro menção ao nosso já conhecido Bento Pertunhas, a quem as humanidades não faziam soberbo a ponto de recusar-se a entrar em communicação social com os seus conterraneos.

Observada está deferencia, mencionemos os maïs.

Um era nem maïs nem menos do que o sr. Joãozinho das Perdizes, em quem já temos ouvido falar por maïs do que uma vez.

Era o dicto sr. Joãozinho morgado e proprietario em uma das freguezias proximas, chamada de Pinchões; mas propriedades e morgadia andavam-lhe tão embaraçadas em redes de demandas e de hypothecas, que Deus nos acuda.

Os autos, que diziam respeito á casa das Perdizes, enchiam um cartorio. Graças, porém, ao seu genio despreoccupado e folgazão, o sr. Joãozinho deixava aos procuradores os cuidados judiciaes; os cuidados agrícolas aos rendeiros e feitores; os do futuro,