Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/182

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—­A falar verdade!...—­disse um dos lavradores—­com a influencia que elle tem, podia...

—­Ora adeus! palanfrorio—­atalhou o padre—­bem me fio eu na influencia do conselheiro.

—­Eh! eh! eh!—­respondeu o brazileiro, agradado do scepticismo do padre, e accrescentou com um sorriso velhaco:—­Não, elle diz que fala com os ministros, que tal, que sim senhores, que domina o partido. Emfim... Elle lá o sabe.

—­Para mim é que elle vem de carrinho...

—­Eu não sei—­concluiu com requinte de velhaquez o brazileiro.

—­Pois eu cá—­disse o sr. Joãozinho, que estivera bebendo em silencio, e descarregou um murro na banca, que fez tilintar os copos.—­Eu cá já disse; se os taes homens das bandeirolas me tornam a passar por as terras, sempre lhes meço as costas com um marmeleiro, que lá tenho, e que já me serviu para varrer a feira de Santo Estevão. Uns mariolas!...

E como para desafogar o pêso da sua amabilidade, despediu um pontapé a um podengo, que lhe viera roçar por as pernas, e fel-o sair ganindo.

—­Dizem que vão principiar outra vez com os trabalhos das estradas—­informou o taberneiro, enchendo de novo o copo ao sr. Joãozinho.

—­Pois que vejam no que se mettem. Cautelinha commigo!—­resmungou este.—­Faço como d’aquella vez em que eu e a minha gente queimámos toda a papelada da camara e do escrivão da fazenda.

—­Agora no inverno é que elles hão de principiar com os trabalhos. Sempre se fía em boa!—­disse, encolhendo os hombros, mestre Pertunhas.

—­Vossemecê é que está a ler—­veio-lhe á mão o brazileiro.—­Então não sabe que as eleições são em fevereiro?

—­Ai, é verdade! não me tinha lembrado d’isso!—­exclamou o padre.

—­Tambem não sei como será d’esta vez essa