Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/186

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nos lameiros, atravessa o pinhal do Conego, passa o rio n’uma ponte e...

—­Oh com os diabos; o que ahi vae!

—­Não é tanto como parece; sendo as obras bem dirigidas... Até aos lameiros só tem a deitar abaixo a casa e o quintal do herbanario.

—­Deitar abaixo a casa do herbanario! O pobre diabo rebenta de paixão, se tal fazem—­disse, com certa commiseração, o sr. Joãozinho das Perdizes, que tinha por o herbanario uma sincera affeição e respeito, n’elle excepcional, desde que lhe attribuia a cura de um typho que o tivera ás portas da morte, e de que o velho, dizia elle, o salvára, com uns cozimentos sómente d’elle sabidos.

—­Ora adeus! Antes d’isso morre o homem de doidice. Está maluco de todo—­redarguiu o brazileiro.

—­Tambem está um bom magico, está—­notou o padre.

—­Quer não, que sabe maïs do que todos os medicos—­acudiu o sr. Joãozinho das Perdizes; a mim me livrou de uma maligna. Oh que excommungada!

E principiou a fazer a historia da sua doença.

Os lavradores concordaram em que o homem era sabedor; mas attribuiam-lhe maïs mysteriosa sciencia, do que a da medicina.

—­Pois a final por onde devia ir a estrada—­continuou o brazileiro;—­tinham ainda o campo dos Brejos do conselheiro, mas n’isso não se fala, já se sabe.

—­Ora! pois está de vêr—­concordou o padre.

—­E o conselheiro não se ha de oppôr á expropriação da casa do herbanario, porque pelos modos elles não andam muito correntes—­lembrou um lavrador.

—­É verdade; por que seria aquillo?—­perguntou outro.

—­Elles em tempo eram muito um do outro; e são até aparentados;—­explicou o brazileiro—­e o