Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/252

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aquella, em que de pequenos nos educam para com a Virgem. Que esperanças tenho? Nenhumas. Nem procuro alimental-as. Quer que lhe diga? Vêl-a; respirar estes ares que ella respira; atravessar estás devezas em que ella passeia; amimar as mesmas crenças que ella amima; soccorrer, com o meu óbulo de pobre, a miseria sobre a qual ella espalha caridosa as dádivas da sua abençoada opulencia... e, ahi está; são as minhas aspirações; é o futuro que desejo, e com que me contento. Leu no meu coração, disse; e ha muito que m’o dá a entender; mas não viu claro de todo, confesse. Julgou talvez que haveria em volta d’este sentimento um enxame de esperanças loucas, e d’ellas se ria. D’ellas por certo foi que se riu; é muito generoso para se rir do maïs. Enganou-se, porém, tío Vicente; vê agora que se enganou, não é verdade? Essas esperanças não existem. Se existissem, bem vê que não estaría aquí. Não me teria impellido a ambição pelo caminho de realisal-as? Não se me teem offerecido os meios para tental-o? Mas, veja, quero-lhe tanto, e tanto me satisfaz está felicidade a meu modo, que não arrisco um instante d’ella para tentar uma ventura maior.

O herbanario escutava silencioso, porém meneando a cabeça com ares de quem não punha demasiada fé n’aquellas palavras.

—­Aos vinte annos!...—­disse elle por fim—­sentir o que dizes... ser feliz assim!... Deixa passar maïs tempo; deixa tomar corpo á paixão e verás... verás depois...

—­Tem dez annos—­disse Augusto, sorrindo.

—­Dez annos!

—­É verdade. De creança a conheço, a paixão que diz; por isso confio n’ella. Tenho fé em que se não transviará.

—­Dez annos!—­repetia o velho, admirado.—­Porém... ha dez annos...

—­Ha dez annos saí eu d’aqui, tío Vicente. Não