Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/268

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possuem! O sr. Henrique, o de me interrogar; o sr. Augusto o de me defender. A um repetirei o que já ha pouco lhe disse; se algum dia tiver necessidade de explicar as minhas acções, fal-o-hei deante de outros juizes, em quem reconheça o direito de o serem. Ao outro peço licença para lhe lembrar que, se o título de hospede e de parente não fôsse bastante para me assegurar da parte do sr. Henrique de Souzellas os respeitos que me são devidos, tinha ainda na minha familia defensores legitimos e não seria por isso obrigada a recorrer á protecção de um estranho. Meus senhores...

E, inclinando-se senhorilmente, a morgadinha passou por entre elles e entrou para a quinta, sem que nenhum a procurasse reter.

—­Se está senhora acceitasse a sua protecção e eu teimasse n’aquillo que chamou a minha insolencia, qual seria, pouco maïs où menos, o seu procedimento? Poder-se-ha saber?—­perguntou Henrique, logo que a morgadinha desappareceu.

Augusto, em quem a fria altivez da resposta d’ella deixára o desespero no coração, respondeu acerbamente:

—­Procuraria ensinal-o a ser cortez. Bem vê que não me esqueço facilmente do meu programma de mestre-escola.

—­Vejo; é a segunda tentativa de lição que lhe mereço. Permitte-me que ámanhã o procure para dar principio a um curso de educação maïs regular?

Augusto respondeu, sorrindo:

—­É um cartel em fórma? Não sei se estarei ensaiado para essa comedia.

—­Se o genero tragico lhe agrada maïs, dar-se-lhe-ha esse sabor.

—­Bem ouviu que se me negou o direito de tomar partido por está causa. Qualquer scena d’essas entre nós seria pouco delicada... ámanhã.

—­Pois bem, contemporisemos; e até lá é de esperar