Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/384

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—­Nada de magnanimidades, minha senhora; quem quer ser juiz a ninguem deve excluir da possibilidade de ser réo. O sr. conselheiro, porém, alguns indicios nos aponta. Fala, por exemplo, vagamente, de alguem que n’estes ultimos tempos se pudesse considerar offendido por elle, e que por vingança... Ora actos capazes de trazer estás animadversões a seu pae, prima Magdalena, só a questão do cemiterio, mas essa não importa a ninguem que tenha entrada aquí... Ha tambem as das expropriações, porém...

Henrique parou, como se lhe tivesse acudido uma ideia, que examinava, antes de enuncial-a.

—­Tive agora um pensamento diabolico; nem quero attendel-o.

—­Diga, primo, diga—­acudiu logo D. Victoria.

—­A expropriação da casa do herbanario... O muito amor que o velho tinha áquella vivenda... A repugnancia com que viu cortar aquellas arvores velhas...

—­Então julga que foi o Vicente?—­perguntou D. Victoria.—­Mas elle não vem ao Mosteiro ha muitos annos, primo.

—­Não digo que fôsse elle, minha senhora—­disse Henrique, cujo embaraço augmentava, sentindo que a morgadinha o fitava com um olhar penetrante, como se lhe estivesse lendo o pensamento.

—­Então?—­insistia D. Victoria.

—­Mas—­proseguiu Henrique—­o velho exerce certa fascinação na gente da terra; um verdadeiro prestigio; e certas intimidades entre elle e... e alguem que tem aquí entrada a todo o momento... Emfim... eu não quero seguir maïs adeante este antipathico pensamento, que talvez fôsse rejeitado com indignação por quem me escuta e attribuido a mesquinhos resentimentos da minha parte.

—­Faz bem em o abandonar, primo Henrique—­disse Magdalena, com severidade.—­Entre ser victima de uma traição e culpada de uma suspeita injusta,