Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/390

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encarregando-se ella propria de responder por Augusto.

Não se passou muito tempo que Augusto não viesse procurar a pasta que lhe esquecêra na sala.

—­Que procura?—­disse D. Victoria, que, ao vêl-o, parou junto da mesa.

—­Uma pasta que deixei aquí!

—­Será está?—­disse D. Victoria, mostrando-a.

—­É essa mesma—­respondeu Augusto, indo para buscal-a.

—­Como vão na leitura do manuscripto os meus pequenos, sr. Augusto?—­perguntou D. Victoria, retendo a pasta.

—­Muito bem, minha senhora.

—­Já entenderam está carta?

Augusto pegou na carta, que examinou, superficialmente.

—­É provavel que já, minha senhora; ainda que não me lembro de haver escolhido está entre as que v. ex.^a me deu.

—­Pois escolheu por certo, visto que a tinha na pasta; mas como lhe pareceu difficil de maïs para os pequenos, teve o cuidado de mandal-a imprimir para elles lerem melhor. Não posso consentir que entre n’esses gastos por causa de meus filhos; por isso queira dizer a despeza que fez, para se mandar pagar.

D. Victoria tirava da raiva, que se apossára d’ella, uma ironia superior aos seus habituaes expedientes de espirito.

Augusto ergueu para ella os olhos, admirado, porque não podia comprehender aquellas singulares palavras.

—­Diz v. ex.^a que...

Em vez de lhe responder logo, D. Victoria pegou no periodico queHenrique deixára sobre a mesa, e maïs exaltada já, accrescentou:

—­Veja se saiu exacta. Compare. Talvez precise de fazer alguma emenda.