Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/397

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Ao principio ainda por ahi dava alguns passeios... Agora, tirando lá as suas visitas ao Mosteiro, elle para ahi fica. Lá ao Mosteiro sim, para ahi ainda elle vae.

—­É que os ares são por alli muito saudaveis—­disse maliciosamênte Maria de Jesus.

—­Adeus! ahi vem vossê com as suas coisas. E então que tem? Pois está claro que um rapaz, como elle, dá-se com a gente nova.

—­Pois sim, senhora, eu não digo...

—­E as raparigas de lá já não estão bem sem elle... Ora eu confesso, quando elle está de maré, é um gôsto ouvil-o. Sempre ás vezes tem coisas que fazem rir as pedras.

—­E pondo-se a contar historias? Ih! isso então é que é! Eu não sei onde elle as vae buscar!—­accrescentou a criada.

—­Com está—­continuou D. Dorothéa, apontando para Maria de Jesus—­é ás vezes um passo. Eu ainda queria que o Augustito os ouvisse a ambos. É perdido em pouca gente. Elle põe-se lá a inventar patranhas, e ella a tôla, que sabe já como elle é, ouve tudo muito séria e fiada, e no fim então é que são os escarcéos. Emfim, uma coisa é dizer, outra é vêr!

E D. Dorothéa ria, com aquelle rir meio tossido de velha, em que ha não sei que indicios de uma existencia placida, que consola ouvir.

Augusto forçava-se a sorrir áquellas narrações das duas velhas, a que elle mal attendia.

—­Eu digo—­continuou D. Dorothéa—­que já nos havia de fazer falta se saisse d’aqui; quando cá não está parece-me a casa morta.

—­Deixe lá, senhora, que este já d’aqui não sae.

—­Ora bem sabe vossê d’isso.

—­Pois a senhora verá. Ora! Os passeios ao Mosteiro são muito bonitos.

Augusto ergueu-se, devéras resolvido a cortar a conversa por uma vez.