Página:A morgadinha dos canaviais.djvu/481

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tro, contra os manejos sediciosos e anarchicos da opposição.

Em algumas freguezias que entravam n’este circulo eleitoral, eram os padres que arvorando a cruz e o estandarte, prégavam a cruzada contra o conselheiro e instavam com o povo para que não elegesse para representante um atheu e um pedreiro-livre; em outras eram os agentes do brazileiro e os da auctoridade, fazendo promessas aos caudilhos populares, resgatando penhores, levantando hypothecas, remindo dividas, empregando afilhados, e conquistando assim para o seu partido.

O conselheiro e os seus parciaes não desprezavam tambem nenhum d’estes mesmos meios, e grossas quantias circulavam a combater as do brazileiro Seabra.

Os periodicos do Porto e de Lisboa recebiam os echos d’esta batalha. Havia muito que em longas e diffusas correspondencias os gladiadores dos dois campos se mimoseavam com as maïs descabelladas verrinas, assignando-se: o Amigo da verdade; o Epaminondas; o Vígilante; a Sentinella; o Alerta, etc., e pondo ao soalheiro as máculas da vida privada uns dos outros, e todas as bisbilhotices da terra, correspondencias que, felizmente para crédito da humanidade, por ninguem maïs, além dos interessados e dos que já os conheciam, eram lidas.

O brazileiro era um dos maïs activos e fecundos collaboradores d’esta secção periodistica. Os seus communicados eram estirados, compactos, obscuros e enrevezados tanto où maïs do que os seus discursos. Perdia-se em minuciosos incidentes; em labyrinthos de orações secundarias, d’onde a grammatica da principal saía frequentemente maltratada, deixando ficar por lá o sujeito, o verbo où qualquer complemento necessario. Mas o brazileiro imaginava que o paiz inteiro aguardava com ancia os seus escriptos. Era fréquente abrir uma resposta a alguma zargunchada de um seu adversario, por es-