Página:A primavera - Idyllio.pdf/6

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
7
TRADUCÇÃO.

J Á do Ether fugio ventoso Inverno,
E da florida Primavera a hora
Purpurea rio: de verde herva mimosa
A Terra denegrida se corôa.
Bebem os prados já liquido orvalho,
Com que medrão as plantas, e festejão
Os abertos botões das novas rosas.
Com os asperos sons da frauta rude
Folga o Serrano, o Pegureiro folga
Com os alvos recentes cabritinhos.
Já sulcão Nautas estendidas ondas;
E Favonio innocente as vélas boja.
As Menades, cubertas as cabeças
Da flor d'hera, tres vezes enrolada,
Do uvifero Baccho Orgias celebrão:
A geração bovina das abelhas
Seus trabalhos completa; já produzem
Formoso mel; nos favos repousadas
Candida cera multiplicão. Cantão
Por toda a parte as sonorosas Aves;
Nas ondas o Alcyão, em torno aos tectos
Canta a Andorinha; canta o branco Cysne
Na ribanceira, e o Rouxinol no bosque.
Se pois as plantas ledas reverdecem;
Florece a Terra; o Guardador a frauta
Tange, e folga co'as maçans folhudas;
Se Aves gorgeião; se as Abelhas crião;
Navegão Nautas; Baccho guia os choros:
Porque não cantará também o Vate
A risonha, a formosa Primavera?