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Página:A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf/23

Wikisource, a biblioteca livre

Como é perceptível, um dos primeiros pontos frágeis da pesquisa foi a ausência de pessoas indígenas engajadas no tema nessa primeira oficina – embora tenhamos feito contatos, não recebemos confirmação a tempo. A abordagem inicial da escuta se baseou em três perguntas principais:

i) Após 10 anos da aprovação da Lei de Cotas, quais as principais dificuldades e transformações na produção e circulação do conhecimento de pessoas negras e indígenas? Como a internet tem se colocado (ou não) como parte desse processo?
ii) Após 10 anos da aprovação da Lei de Cotas, como as transformações na produção e circulação do conhecimento de pessoas negras e indígenas se reflete no chamado conhecimento livre?
iii) Como o conhecimento livre contribui (ou pode contribuir) na transformação dessas dificuldades? (Lima et al., 2022, p. 14).

Apesar de parte significativa das(os) participantes atuarem em instituições acadêmicas, nosso objetivo foi abarcar a compreensão de disseminação do conhecimento não apenas em espaços tradicionais, como universidade, periódicos acadêmicos, eventos, congressos e encontros de áreas. Frisávamos, assim, a necessidade de compreender como espaços on-line podiam se tornar espécies de brechas para que pessoas negras e indígenas fizessem circular também os seus saberes. A opção por olhar não apenas para a academia, mas de compreendermos a presença de espaços on-line como meios possíveis de divulgação científica, estava conectada à preocupação que tínhamos em diálogo com autores como Gomes (2013) e Ratts (2009).

De acordo com Ratts (2009), a omissão de intelectuais negros nas bibliografias está ligada à resistência da academia aos discursos engajados na luta contra a desigualdade racial, além da dificuldade de acesso às suas obras, não apenas pela escassez de exemplares disponíveis, mas também pela correlação entre a presença na academia e a capacidade de ser lido(a), escrever, orientar pesquisas e tornar-se professor(a). Gomes (2013), por sua vez, destaca que muitos intelectuais negros são mencionados mais para abordar seu processo de ascensão social do que para discutir efetivamente suas ideias. A autora ainda salienta que essas questões são frequentemente naturalizadas ou tornadas invisíveis, não sendo percebidas como problemáticas nos grupos de trabalho ou em eventos da área das ciências sociais como um todo. Diante desse cenário, questionávamos: espaços

 

EXPLORANDO TENSÕES ENTRE CONHECIMENTO LIVRE, EQUIDADE, PRODUÇÃO...23