socioantropológicas de autores como Hall (2000), Foucault (2006), Fanon (2008) e Das (2011), além de integrar noções teóricas do feminismo propostas por hooks (1995), Brah (2006) e Collins (2019). Essa escolha metodológica não apenas informou a análise dos dados empíricos, como também orientou nossas leituras analíticas, posicionando as narrativas e os agentes da pesquisa no centro do processo.
Vale destacar que duas das autoras, Lima e Martins, originaram-se de um campo mais voltado às discussões sobre equidade no conhecimento, com ênfase na perspectiva negra, enquanto Lana e Valente contribuíram inicialmente para o debate sobre conhecimento livre. Dessa forma, as perspectivas das(os) interlocutoras(es) ativamente ouvidas(os) durante os encontros entrelaçaram-se com nossas próprias trajetórias acadêmicas, ativistas e com as análises teóricas da pesquisa em questão.
Ao aprofundarmos nossa escuta atenta, organizamos os desafios, transformações e estratégias delineados pelas vozes participantes, vislumbrando um horizonte próximo para aprofundar a conexão entre o conhecimento livre e os saberes das comunidades negras e indígenas no contexto brasileiro. A reflexão subsequente foi impulsionada não apenas pela necessidade intrínseca de compreensão, mas também pela provocação deliberadamente recebida. Nesse processo, fomos chamadas a explorar nuances e pontos de tensão na articulação entre o conhecimento livre e as produções intelectuais desses grupos, buscando uma compreensão mais profunda e sensível desse diálogo em construção. Não seria pertinente, por exemplo, discutir conhecimentos plurais sem considerar a diversidade existente inclusive entre indígenas e a população negra, um aspecto que será retomado adiante.
Além disso, durante o processo de escuta e em diálogo com a revisão bibliográfica realizada, identificamos uma lacuna significativa na compreensão do papel desempenhado pela internet no contexto das mudanças ocorridas no Brasil, especialmente relacionadas à implementação da Lei de Cotas. Apesar do aumento expressivo do ingresso de pessoas negras e indígenas nas universidades públicas como resultado dessa legislação, não encontramos pesquisas centradas especificamente no papel da internet para estudantes oriundos dessas populações. Essa lacuna representa uma área de investigação potencialmente relevante que merece atenção no desenvolvimento da pesquisa.
Com essa consideração em mente, após a conclusão do mapeamento e das oficinas anteriormente mencionadas, avançamos para a próxima etapa.
EXPLORANDO TENSÕES ENTRE CONHECIMENTO LIVRE, EQUIDADE, PRODUÇÃO...25