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Página:A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf/29

Wikisource, a biblioteca livre

foram impulsionadores significativos da democratização de informações e conhecimentos. Dessa forma, o que denominamos como “conhecimento livre” engloba tanto as comunidades quanto as práticas e os próprios conhecimentos que vêm sendo constituídos sob esses regimes alternativos à propriedade intelectual total e automática.

Silveira e Savazoni (2018), ao revisitarem o significado do termo “comum”, destacam que, no Brasil, esse conceito tem sido especialmente explorado por ativistas e pesquisadoras(es) nos campos da cibercultura, meio ambiente, estudos sobre o direito à cidade e nas comunidades tradicionais. No entanto, observam que há uma escassez de autores produzindo conhecimento específico sobre o tema. De acordo com eles,

Uma hipótese sobre o porquê de o comum não ser mais difundido no Brasil – embora esse cenário esteja mudando nos últimos anos com a realização de inúmeras teses e dissertações sobre o tema – tem a ver com a dificuldade de tradução do conceito para o português. Em inglês, os Commons são as terras comunais, bens partilhados entre todos que precedem o processo de organização da propriedade privada que marca o início do capitalismo. Um termo, portanto, absolutamente incorporado à história política-cultural anglo-saxã. Não temos palavra correlata em português (Silveira; Savazoni, 2018, p. 6).

Além da dificuldade de tradução, a presença de limitações na abordagem de questões relacionadas à raça, gênero e desigualdades dentro do movimento é evidente, dada a predominância de atores sociais do Norte Global na construção dessa pauta. Isso suscita a indagação sobre a viabilidade de uma produção tão significativa sobre o tema em uma estrutura social como a brasileira, isto é, profundamente desigual em termos de gênero, raça e classe social. Se o conhecimento comum foi estabelecido a partir de uma perspectiva localizada em um espaço de baixa diversidade subjetiva, como essa discussão poderia ser liderada no Brasil por grupos historicamente marginalizados?

Faustino e Lippold (2023), por exemplo, defendem que a própria ideologia do Vale do Silício age como uma espécie de atualização da missão civilizatória europeia do neocolonialismo da virada do século XIX. Ainda de acordo com os autores, ao analisar criticamente as supostas “benevolências” de grandes empresas de tecnologia em países do Sul Global, falam do “fardo

 

EXPLORANDO TENSÕES ENTRE CONHECIMENTO LIVRE, EQUIDADE, PRODUÇÃO...29