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Página:A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf/30

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do nerd branco” – o homem branco do Norte Global que pretende levar soluções tecnológicas para o Sul Global, retratado como passivo, necessitando de ajuda e orientação.

Apesar de o movimento da cultura livre ter surgido como uma crítica a muitas dessas posturas, como anteriormente mencionado, é um movimento que não foi construído considerando as epistemologias da periferia e das margens do capitalismo central. Aqui, referimo-nos às perspectivas do Sul Global, das pessoas negras e dos conhecimentos tradicionais produzidos por povos indígenas (Young, 2006). Quais questões ficam à margem e que tensões surgem entre essas perspectivas e a do conhecimento livre?

 

As tensões e os significados da liberdade do(s) conhecimento(s)

Abordar o conhecimento livre do ponto de vista de pessoas negras e indígenas demanda precauções e um aprofundamento que não poderá ser totalmente explorado aqui. De maneira resumida, é relevante destacar que a concepção de que a organização de ideias em um determinado formato, circulando para outras pessoas, nos torna automaticamente autores e supostos proprietários de direitos sobre nossa criação é profundamente enraizada em perspectivas ocidentais (Foletto, 2021). Nesse contexto, a antropóloga Marcela Stockler Souza (2016, p. 183) observa, em um estudo sobre o povo kĩsêdjê:

A visão ameríndia trata, por exemplo, os objetos como registros menos passivos das capacidades de um sujeito do que as objetificações personificadas dessas relações. De modo que a criação se dá distribuída na relação entre os múltiplos objetos e pessoas, sem esta separação entre sujeito e objeto, intelecto e matéria, que estamos acostumados a fazer no Ocidente. A subjetividade também existe nos objetos e forma uma animada paisagem composta de diferentes tipos de níveis de ações humanas.

Os ameríndios vivem há séculos de formas muito menos centradas na propriedade e na cultura proprietária como um todo do que os europeus que colonizaram essa região (Foletto, 2021). Cabe salientar, ainda, que a cultura livre do Sul Global não se manifesta apenas nas tradições dos povos indígenas, mas também na criatividade recombinante das periferias,

 
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