ativa em relação aos conceitos discutidos. Distanciando-se do papel passivo, as(os) interlocutoras(es) optaram por reconhecer a importância da instrumentalização potencial desses meios, ao mesmo tempo em que consideraram contradições e a necessidade de escutas que transcendam as limitações de uma perspectiva restrita, como trazido por Rodrigo.
Se começamos a pesquisa pensando em como construir pontes mais fortes entre as discussões sobre conhecimento livre e conhecimentos indígenas e negros, terminamos a escrita deste capítulo mais preenchidas de questionamentos do que de respostas. Há uma instrumentalização possível da Wikipédia por pessoas não brancas, e elas compreendem a importância de ocupar esses espaços, mas quais devem ser as garantias de plataformas como a Wikipédia de que esse conhecimento não será consumido apenas de forma predatória? Certamente, as pessoas oriundas de populações indígenas e negras parecem estar parcialmente confiantes na importância desta, mas estariam as(os) editoras(es) desta convencidos da importância de ouvir e compreender as mudanças que a enciclopédia precisa passar para se tornar um lugar que não seja inóspito para populações historicamente marginalizadas?
O questionamento sobre por que as discussões sobre conhecimento livre e conhecimentos negros e tradicionais demonstravam tamanha desconexão parece ser melhor respondido agora. Compreendemos que há, por um lado, um esforço de tornar visíveis suas produções e, por outro , uma possível falha em conectar-se com esses atores sociais por meio de especialistas brancos inseridos na discussão sobre o tema. Em um momento histórico em que parte considerável do ecossistema de direitos digitais é tensionado a se ampliar e se permitir modificar a partir de perspectivas de grupos sociais não brancos, talvez seja o momento ideal para indicarmos a responsabilidade de agentes brancos ampliarem sua escuta e se deixarem também transformar pelas epistemologias que vêm sendo invisibilizadas – dentro e fora da wiki. Talvez seja chegada a hora de uma virada de perspectiva e que a gente se questione o que temos a aprender com as populações tradicionais – e menos o que temos a ensiná-las.