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Página:Alice Pestana (Caiel) - Retalhos de verdade (1908).pdf/41

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Retalhos de Verdade
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deixava sem resposta essa parte das cartas; e, sem a menor allusão ao assumpto financeiro, manifestava sempre o seu desejo de que a tia Amalinha ou melhorasse definitivamente ou acabasse depressa o seu martyrio.

N'uma carta tambem ella lhe dizia sentir muito que elle tivesse encarregado o Sequeira de cobrar os ordenados, porque ella o poderia fazer perfeitamente sem incommodar ninguem. Isto a elle parecera-lhe uma ratice. Andar agora uma rapariga de vinte e cinco annos, bonita e elegante. mettida pelos ministerios para cobrar uns reles quarenta mil réis! Mandou dizer á Chica, terminantemente, que não fizesse tal cousa. O Sequeira era um bom amigo e muito amavel. Não fazia o menor sacrificio em prestar-lhes aquelle pequeno servico. Já lhe deviam tantos! E até podia pedir-lhe emprestado algum dinheiro, se the faltasse. Não valia a pena estar agora com economias sujas. Até lhe parecia que ella devia ir tratando do lucto. Que não esquecesse como as modistas enganavam e faziam perder tempo e paciencia. Se não fosse pela prisão do lucto talvez ella até pudesse ir ter com elle ao Minho logo que a tia fechasse os olhos. Havia de distrahil-a conhecer tudo aquillo. E elle ia ter