o decoroso expediente de passar varias vezes o lenço nos olhos enxutos.
E a verdade, apesar da ausencia das lagrimas, era que elle se sentia profundamente commovido. Desde aquelle dia tudo ia mudar na sua existencia.
A tia Amalinha rendera a alma a Deus ás 9 horas da manhã. Eram 3 da tarde quando o confessor da defunta, padre Segurado, apresentou a Antonio Pinheiro, como membro da familia, o testamento da tia Amalinha feito seis annos antes, na presença de tabellião, com todas as formalidades da lei.
Legava o total da sua casa a diversas congregações religiosas, com encargo de mandarem dizer mil missas por sua alma. Nomeava testamenteiro o seu administrador Manuel Felizardo, e deixava-lhe como lembrança de amisade uma inscripção de quinhentos mil reis.
Tambem como lembrança deixava outra inscripção do mesmo valor ao seu muito amado sobrinho Antonio Pinheiro: e vinte mil reis, dados por uma só vez, a cada uma das suas criadas e ao caseiro. No dia do seu enterro queria que se abonasse o jornal a todos os trabalhadores das suas terras, não se lhes exigindo n'esse dia nenhum trabalho.